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Archive for janeiro \27\UTC 2010

Meu obituário

Enfim minha vida chega ao fim e graças a Deus, tive uma morte rápida, inesperada e indolor: Não queria ser um fardo para minha família. Sempre vivi plena e intensamente e não suportaria o fato de definhar, deixar a luz ir se apagando aos poucos. Pra quem me conheceu, sempre se lembrará de mim nos meus melhores dias e eu não podia desejar mais nada.

Estou morto já a algumas horas e algumas pessoas importantes para mim compareceram a esse evento. Meu caixão encontra-se no meio de uma sala branca, com várias flores que exalam um cheiro muito melhor do que o meu nesse momento.

Num canto da sala, estão meus pais, minha mãe chorando muito e meu pai, querendo ser o homem forte e duro que ele sempre demonstrou ser (mas que no fundo tem um coração imenso e mole): Para fugir das lágrimas ele tenta sorrir, característica que herdei dele e que em alguns momentos é irritante inconveniente. Meu pai consola minha mãe, ele diz que a missão deles foi cumprida com muito sucesso: “O Aron foi um homem honesto, digno, respeitável e batalhador. Sempre conseguiu tudo que quis, se preocupou com a família e nos trouxe grande alegria em toda nossa vida.”. Minha mãe sente minha falta. Sempre fui mais próximo dela, apesar de admirar mais o meu pai.

A primeira frase da minha irmã foi: “Como ele está pálido! Que roupa horrível é essa que ele está usando?”. Ela sempre me criticou muito, mas é porque queria meu bem. Sempre gostei de pessoas sinceras que não se importam muito com os sentimentos dos outros, elas não tem medo de te dizer a verdade. Eu tentei ser um pouco assim, mas dosando com um pouco de tato. Críticas feitas, ela me agradeceu por ter sido um ótimo tio pro Jorge e Matheus (não é dupla sertaneja, é o nome deles mesmo), ter sido um exemplo para eles e se desculpou pelo monte de inconvenientes que ela causou (só depois de morto mesmo pra isso acontecer).

Próximo de mim, está o Marco, estudou comigo desde a sexta série, guitarrista de minha ex-banda e companheiro nos piores momentos da minha vida. Ele está muito abalado, já que é meu irmão (não de sangue). Pensa ter me deixado na mão em alguns momentos, pensa que falhou, mas sempre que eu precisei, ele esteve lá. Ele toma ar, chama a atenção de todos, faz uma pausa  inicia um discurso. Marcão é muito emotivo, sempre foi meio panda. Espero que esse discurso não seja tão longo quanto os emails melosos e dramáticos que ele costumava enviar.

– O Aron foi um cara muito especial, o irmão que eu não tive, e posso dizer que ele foi um cara que sempre teve tudo o que ele quis. Não que ele fosse mimado, mas ele era muito perseverante e teimoso obstinado. Se ele queria uma coisa, lutava até conseguí-la sem nunca passar por cima de ninguém. Não existiam problemas pra ele, ele sempre enxergava tudo de maneira positiva, sempre havia uma esperança. Era um cara metódico, que procurava planejar tudo o que ia fazer, para não errar… bla, bla, bla.

O discurso foi longo, como o previsto, gostei do que ouvi, o Thiago (Peruca), que foi meu outro irmão, companheiro de aventuras, colega de time, baixista da banda, etc,  foi conversar com o Marco. O Peruca sempre foi meio esquentado, mas eu admirava essa qualidade dele, pois isso o tornava uma pessoa muito transparente. Prestei atenção na conversa e ouvi o Peruca dizendo ao Marco que minha vida estava completa. Eu dominei o mundo: Cruzei os Estados Unidos de Nova York a Los Angeles, fiz um mochilão pela Europa, um Safari pela Africa, vi o Egito e a Russia, peguei onda na Austrália, mergulhei no Caribe, pratiquei muitos esportes, fiz muitas aventuras, toquei, gritei, tentei, corri, chorei, ri, menti, sonhei, quebrei a cara, me levantei, me queimei, sofri, amei e todo resto que eu queria. Que bom que eu fui assim, que bom que a rotina não me consumiu e que eu tentei fazer muitas coisas (Só acerta quem tenta).

O Rick (não o Richarlysson do SP, mas o Henrique do Sentido Obrigatório) também estava presente. O panda dos pandas estava sendo sem noção, porque aparentemente ele perdeu a noção após meu falecimento. Bom garoto, me espelhei muito nele para poder dominar o mundo. Esse foi um cara que viveu. Foi pro Canadá, mochilão pra Europa com o Peruca, várias namoradas (fez muita merda também), coragem de largar tudo e ir trabalhar em Curitiba. Meu orgulho. Ele é um dos meus irmãos não de sangue mas que infelizmente, devido as nossas divergências quanto ao fim do Sentido Obrigatório e sua mudança para Curitiba, acabou ficando mais distante de mim. Certa vez (no dia do término da banda) ele disse que eu seria um ótimo sócio para abrir uma empresa, mas que como parceiro de banda estava deixando a desejar. Extraindo o que interessa da frase, gostei da possibilidade de ser um ótimo parceiro de negócios. Ele comentava com sua vigésima quarta esposa que o mundo havia perdido uma pessoa boa, que se importava com os outros e que realmente conseguiu o que queria.

Mas o que eu queria? É pra isso que estou aqui.

Minha esposa, muito abatida, e meus filhos estão sendo consolados pelos meus familiares. Ela se aproxima de meu corpo e sussurra em meu ouvido que adorou o tempo que passamos juntos. O carinho e compreensão que eu tinha com ela, as noites de amor e sexo, o cuidado com nossos filhos, a preocupação com as nossas famílias, as viagens pelo mundo, a conquista de nosso primeiro milhão… Mas o que me deixou mais abalado foi a frase: Não podia ter tido marido melhor.

Meu filho, que nunca me compreendia, pensava numa maneira de dizer que eu estava certo (Eu sempre estou 😀 ). Ele gostava do fato de eu sempre estar ao lado dele, ouvindo, e as vezes fingindo não entender ou não ser seu pai, para que ele pudesse viver e ter experiências de vida (boas e ruins) e assim crescer. Agora ele é um homem, com três filhos e uma esposa que eu amo.

Eu nunca vou conseguir explicar como cuidei de minha filha. O medo de que ela não tivesse bons princípios, ou que se relacionasse com maus partidos sempre existiu dentro de mim. Passei muito tempo com ela, tentando mostrar bons valores, mas não sei quanto é minha participação sobre ela ter se tornado uma mulher linda, respeitável, inteligente e educada. Ver ela saindo com os namorados, se achando gorda/magra, chorando por amor, casando, grávida, mãe… pra mim, sempre foi incompreensível. Ela será sempre meu bebezinho. Para o pai, cuidar de filhas sempre é mais complicado, porque a gente não sabe como funciona o mundo delas E sabe como funciona o nosso.

Meu filhos sempre foram educados segundo os princípios do plano para dominar o mundo. E modéstia a parte, fiz um bom trabalho. A parte mais difícil sempre foi saber quando eu deveria ser pai e educar, e quando eu deveria ser apenas amigo e ouvir.

As vezes penso que era apenas isso o que eu queria. Ser O PAI. Falar de meus filhos me faz sentir tão realizado. Acredito que só pude ser tão feliz, porque soube o tempo correto de fazer as coisas, comecei meio tarde, cometi alguns erros, mas fui criança, adolescente, jovem, adulto e finalmente velho, mas tudo ao seu tempo. Nunca tentei ser mais rico, mais jovem ou mais velho do que eu era ou ser alguém diferente de mim. Sim eu tinha metas de melhorar, mas sempre quis ser um EU melhor.

Ah, meus funcionários… São meus amigos, conheço todos pelo nome mas… O que eles estão fazendo aqui? Quem está cuidando da “lujinha”?! hehehe. Fiz o possível para ser um bom líder. Trabalhei no desenvolvimento profissional deles, criei ambientes de trabalho inovadores e mais do que tudo, eu os respeitei. O resultado disso, uma homenagem deles. Não há dinheiro no mundo que pague isso. Sempre sonhei ser empresário, e agora, espero que meus herdeiros consigam manter o emprego dessas pessoas. Mas como fiz um bom trabalho como líder, sei que eles vão se dar bem.

Apesar do PPDOM ser baseado na idéia de eu ser um empreendedor e um investidor, para atingir essa meta, tive que arranjar um emprego. Essa história de que empreendedor só precisa de uma idéia, dinheiro é desnecessário, para mim, é furada. Uma empresa não pode começar sua vida já com dívidas. Voltando a falar sobre trabalho, dei sorte de conseguir um emprego que permitiu ganhar dinheiro suficiente para por meus planos em prática e permitiu que eu curtisse minha família e viajasse muito mais do que se eu fosse um empresário em tempo integral.

Acho que deixo essa vida com um saldo positivo. Eu vivi, amei, e morri com todas as forças que tinha para isso.


É ai que eu quero chegar! E atualmente estou batalhando pra isso. Vim ao mundo pra fazer a diferença. E você?

PS1: Espero morrer após algumas pessoas acima descritas, mas a opinião deles é importante em minhas memórias póstumas.

PS2: Este post ficou “um pouco” maior do que eu esperava. Mas prometo ser mais sucinto nos próximos. E não me venham encher o saco se o seu nome não foi citado ou se não gostou da descrição dada. 😀

PS3: O texto acima é meu obituário atual e é bem diferente do que eu fiz em 2007.

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Como será o seu velório?

Para iniciar esse blog, quero lançar uma pergunta que todos deveriam se fazer antes de tomar qualquer decisão na vida.

COMO SERÁ O SEU VELÓRIO?

Qual a imagem que você vai deixar? O que quer que as pessoas pensem de você? Aonde você quer chegar? Quem estará presente? Que lugares você conheceu? Teve filhos? Foi empresário, político, jogador de futebol, bandido ou garimpeiro? Ganhou algum prêmio? Quem será você no dia de sua morte?

Segundo o livro “Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes”, você precisa imaginar esse momento fúnebre, visualizar as pessoas, “ouvir” as conversas, sentir as emoções para poder estabelecer qual é o real objetivo de sua vida.

É muito estranho, mas o seu velório representa o último dia de sua existência: De hoje até lá, você pode mudar tudo, depois desse acontecimento, o que está feito, está feito e o que não está feito, nunca será.

A resposta dessa pergunta representa o seu objetivo de vida, e após estabelecê-lo, cabe a você traçar um plano para chegar lá.

Em breve, postarei o “meu obituário“.

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