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Archive for setembro \09\UTC 2010

Transcendendo os limites da vulgaridade

Em minha última aula de redação fui apresentado a uma prova do IBMEC 2009 com um tema super atual: Política. Desenvolvi o raciocínio baseado em nossas opções para presidência e em como nossas eleições estão banalizadas. Não estou tomando partido nenhum até porque, na minha opinião, todos os candidatos estão forçando a barra.

O título deveria ser Transcendendo os limites da vulgaridade e o seguinte texto servia para nos dar uma base:

Se for ao parlamento, posso ocupar a tribuna?

– Podes e deves; é um modo de convocar a atenção pública. Quanto à matéria dos discursos, tens à escolha: – ou os negócios miúdos, ou a metafísica política, mas prefere a metafísica.

Os negócios miúdos, força é confessá-lo, não desdizem daquela chateza de bom-tom, própria de um medalhão acabado; mas, se puderes, adota a metafísica; – é mais fácil e mais atraente. Supõe que desejas saber por que motivo a 7ª companhia de infantaria foi transferida de Uruguaiana para Canguçu; serás ouvido tão-somente pelo ministro da guerra, que te explicará em dez minutos as razões desse ato.

Não assim a metafísica. Um discurso de metafísica política apaixona naturalmente os partidos e o público, chama os apartes e as respostas. E depois não obriga a pensar e descobrir. Nesse ramo dos conhecimentos humanos tudo está achado, formulado, rotulado, encaixotado; é só prover os alforjes da memória. Em todo caso, não transcendas nunca os limites de uma invejável vulgaridade.

(Teoria do Medalhão, de Machado de Assis)

Agora o texto: Transcendendo os limites da vulgaridade

Semana passada, na cidade de Palmas do Arapiraca, um sujeito aparentemente simples, de linguajar chulo e com roupas de segunda discursava na praça central: “Nóis devemo trabalhá pra evoluí. Existem probrema do povo qui tem que sê resolvidu e é pra issu que a gente vai governa issu aqui. Por vocêis”. Esse “sujeito simples” chama-se Tião ou, para os íntimos, Pedro Albuquerque de Almeirda, mega empresário, 50 anos, advogado formado no exterior e casado com a filha do atual governador.

Durante uma hora de falatório, Tião conseguiu não dizer nada concreto, mas captou a atenção e o carinho do povo que se identificou com a mediocridade e “simpleza” daquele ser. Pedro, homem sábio, sabia o que o distanciava de seu público e então criou um personagem para transpor este obstáculo: Tião.

A platéia, muito mais Tião do que Pedro, entrega-se em aplausos àquela imagem: “Ele é comu nóis” gritava Zé, comovido com aquele texto decorado que não levava a lugar algum.

Como votar em alguém que mente até sobre sua personalidade? Por que escolher um candidato apenas por se identificar com sua imagem para governar a cidade?

Em uma sociedade medíocre, na qual a novela é mais importante do que a escola e que a cultura é colocada de lado, brindamos a ignorância esperando que esta resolva alguma coisa. Apenas com muito investimento em educação e cultura é que, a longo prazo, Tiões não mais conseguirão manipular as massas. Mas será que os Pedros irão deixar?

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Lendo blog do Ricardo Jordão deparei-me com o seguinte artigo: Eu não dou conta do recado. O que eu faço?. E parei pra pensar no meu blog. Meus textos sempre incentivam as pessoas a perseguirem seus sonhos e olhando para as minhas metas, percebi que alguns objetivos são conflitantes. Pior, tem coisas que não conseguirei fazer. Mas quando é a hora de desistir? Quanto esforço desprender para atingir um objetivo? Quando é hora de parar?

O fato é que apesar de termos diversos objetivos, devemos ter prioridades e perceber o que é realmente um sonho e o que é apenas um capricho. Existem mudanças que não tem futuro/sentido e objetivos que em algumas circunstâncias se tornam quase  inalcançáveis (nada é impossível). Tudo é uma questão econômica, o bom e velho custo x benefício. Qual o preço a pagar para realizar um sonho? Abandonar a família? Deixar de realizar outros sonhos? Perder sua própria identidade? (viu Dilma LULA Rousseff, JoZÉ Serra e GERALDO Alckmin)

Quem me conhece sabe que atualmente estou fazendo cursinho para prestar Direito, coisa que desejo desde 2002, e em meus devaneios cogitei a possibilidade de tornar-me um magistrado (Juiz). Acontece que para realizar esse sonho tenho que me dedicar por, no mínimo, 8 anos MAS o meu maior objetivo é conquistar minha independência financeira antes dos 45 (em 17 anos).  Pergunta: Vale a pena me preparar 8 anos para uma carreira que posso “abandonar” pouco tempo depois? Tempo é o meu recurso mais limitado, será que eu não poderia utilizar esse tempo para fazer aulas de teatro, dança ou música?

Outro problema encontrado é quando somos bons em uma coisa e queremos outra que somos péssimos.  Mais uma vez, me usando como exemplo, sou um bom baterista, toquei muito tempo nas noites paulistanas, mas por algum motivo (carregar 100kg de equipamento, ser o primeiro a chegar e o último a sair, barulho excessivo…) resolvi que quero tocar violão, e estou tentando isso sem sucesso a mais de um ano. Não seria melhor voltar a tocar bateria e me tornar um baterista top do que insistir em ser alguém medíocre (na média) no violão?

No primeiro caso, resolvi fazer o cursinho (estou adorando relembrar dos logs, platelmintos, revoluções, Sargentos de Milícias, cossenos…) e tentar passar na USP aproveitando o que eu considero ser meu auge intelectual, garantindo assim uma vaga na faculdade que eu quero.

Sobre o violão, eu me divirto aprendendo a tocar, volta e meia alguma música sai aceitável. E cada dia estou melhor. Não sei se conseguirei superar o Billie Joe, Joe Perry ou o Slash. No dia que isso começar a atrapalhar minha vida eu penso (procrastinação).

Um sonho que tive que deixar de lado  foram minhas empresas. Como quase me casei, tive que conquistar uma vida mais estável, ao custo do meu espirito empreendedor se remoendo dentro de mim. Algum dia eu retorno a essa jornada.

Obstáculo é aquilo que vemos quando desviamos nossos olhos de nossos objetivos – Henry Ford

Mas e vocês, já abriram mão de muitas coisas? Estão insistindo em mudanças sem futuro?

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